Rio de Janeiro, 01/06/10 (MJ) – A oficina sobre classificação indicativa de obras audiovisuais, promovida pelo Ministério da Justiça, nesta terça-feira, no Rio, trouxe à discussão a necessidade de uma participação mais efetiva dos pais e das famílias na formação de seus filhos. Com o fim da censura no Brasil, o governo passou a monitorar a exibição pública, com o propósito de recomendar para a sociedade a faixa etária dos filmes e vídeos, bem como o horário adequado para exibição pelas emissoras de tevê.
Apesar do aconselhamento, ainda é frequente a população atribuir ao Estado a obrigação de proibir a entrada de crianças e adolescentes a filmes impróprios. A afirmação é de um empresário que atua há 48 anos no ramo e participa da oficina. Fernando Almeida, da SET Brasília, lastima a falta de diálogo entre pais e filhos quando o assunto é audiovisual. “Os pais confiam que vai ter um porteiro no cinema proibindo a entrada, o que não é verdade. As pessoas se preocupam muito com as drogas na porta da escola, com a violência na rua, mas pouquíssima gente se preocupa com que os filhos estão vendo e em que isso influencia na formação deles”, lamenta.
Almeida sugere ao poder público mais empenho nesse esclarecimento à sociedade, pois em sua avaliação, o grande público ainda não sabe o que é classificação indicativa. “Esta oficina é muito importante porque está chegando informação ao produtor, ao exibidor e ao distribuidor de cinema, que vai aprender quais os critérios do ministério na proteção à infância e à adolescência, mas falta ainda explicar como os pais podem usar a classificação na educação de seus filhos”, observa.
Estão reunidos na oficina de classificação indicativa, representantes do Ministério Público, das emissoras de tevê e do cinema. Os debates continuam ao longo do dia e termina com a exibição de um curta-metragem, que será classificado pelos participantes como exercício, orientado pela equipe do Ministério da Justiça. A mesma oficina será oferecida ao público de São Paulo no próximo dia 8.