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Quarta-feira, 17 de outubro de 2012
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Povos Indígenas » O Índio  »  Etnias Indígenas  »  Mura
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Mura

Estado: AM.
População: 9.275
Localização: Habitat tradicional nas bacias dos rios Madeira e Purús. Hoje encontram-se localizados na Bacia do baixo rio Madeira, expressivamente no rio Autazes e baixo Purús no lago Ayapuá. Também existência de alguns grupos dispersos ao longo dessas bacias e que não se auto-identificam como povo Mura. Sudeste do Estado do Amazonas.


Histórico
Os MURA, como todas outras etnias do Amazonas, sofreram grandes devassas tanto em seus territórios quanto nos seus usos e costumes culturais. A história relata, com documentos comprobatórios, da participação e estratégias usadas pelos colonizadores para “limpar” áreas habitadas por grupos indígenas.

Adélia Engrácia de Oliveira, na introdução aos autos da devassa contra os índios Mura (1986:1) narra... “Sabe-se que eles, os quais faziam das canoas suas casas, que como “índios de Corso” abrangeram uma grande área de ação que se estendia da fronteira do Peru até o Trombetas, que se destacaram nas tentativas de rechaçar a invasão dos civilizados em seus territórios; sendo aguerridos, destemidos e usando táticas especiais de ataque, que enfim, com suas incursões e “correrias” atemorizaram a Amazônia do século XVIII, ficaram no entanto, historicamente conhecidos como os grandes vilões dessa região... E verdade que os índios Mura atacaram as canoas que iam ao comércio das “drogas do sertão”; que impediram o estabelecimento dos portugueses, a ação das missões e das guarnições militares em vasta região da Amazônia; que abrigaram vilas que então surgiam como as atuais cidades de ltacoatiara e Borba (rio Madeirá)”.

Para não perderem suas vidas e suas formas próprias de organização social, econômica e religiosa. Muitas vezes era defendendo suas vidas, suas terras e suas formas de pensar, sentir e agir que davam motivos para que contra eles se fizesse uma “guerra justa”, exterminando-os e facilitando a penetração e a expansão portuguesa na área amazônica, como ocorreu no caso dos Manaó.

Era de tal ordem o temor causado por este grupo indígena que o ouvidor Sampaio, intendente geral da Capitania de São José do rio Negro naquela ocasião, fez o seguinte comentário: (1) “conjeturo, que se não dá prompto e efficaz remedio para inteiramente profligar, e destruir esta nação, que por sua natureza conserva cruel, e irreconsiIiável inimizade com todas as mais nações, não exceptuando os índios: Que professa por instituto a pirataria, grassando por todos os lugares de público transito, em que deve haver maior segurança: Que nas suas guerras, e assaltos usa a mais barbara tirannia...: Que apenas dá quartel a algum rapaz, que depois de ferido, e impossibilitado de fugir, chega a captivar; e ainda assim para o reduzir a escravidão: Motivos estes que não somente justificão contra esta nação a mais infurecida guerra, mas que apersuade huma indispensável obrigação fundada no interesse, bem da paz, e segurança da sociedade universal das nações Americanas, e colonias deste continente: se não dá, digo, remédio a tantos, e tão universais damnos, ou se reduzirão a nada as colonias, e estabelecimentos dos rios Amazonas, Negro, Madeira e Japurá, ou experimentarão o estado de languidez, e diminuição, que necessariamente lhes causa o temor dos Muras, e por hum cálculo bem moderado se pode inferir, que o augmento, que tem, seria quadruplicado, e se seguros os moradores se applicassem à agricultura, ao commercio, e a navegação essencialmente necessaria neste paiz, para adiantar huma, e outro (Sampaio 1825:75-76).” Colocava-se, pois, na destruição dos Mura, a possibilidade de aumentarem e se expandirem as povoações da então Capitania de São José do Rio Negro.

De todas as tribus da Amazônia foi esta a que mais extenso território occupou espalhando-se das fronteiras do Peru até o Trombetas. Sendo que sua sede primitiva foi o rio Madeira. (cf. Nimuendaju, 1925:140)

Nimuendaju (1948:256) acredita que os Mura tenham procurado “proteção entre os “civilizados”, não só pelos ataques dos Munduruku mas também por causa das expedições punitivas, adoção de traços alienígenas e epidemias como sarampo e bexiga”.

Eram os Mura os únicos indígenas respeitados pelos ditos “civilizados” e, foi a ganância destes que transformou os Mura de pacíficos pescadores num terrível flagelo que durante mais de 100 anos pesou sobre grande parte do atual Estado do Amazonas.

Os Mura embora fossem massacrados, não desistiam da luta. Como bem ilustra o seguinte relato: Tropas colonizadoras surpreenderam uma maloca, às seis horas da tarde “deitando-lhe huma linha de cerco por água, e por terra. Os homens, rompendo a linha, fugirão: As mulheres com suas crianças, e todos os rapazes e raparigas lançarão-se à água aquererem ganhar huma ilha fronteira, em tempo, que ahi ainda não tinhão chegado as canoas (...) morrerão todos afogados em número de trezentos e tantos” (segundo um anônimo: cf. illustração 1826).

Os conflitos dos Mura com a sociedade regional culminaram com sua participação na Cabanagem, ao lado dos rebeldes. Os Mura sofreram tantas baixas que optaram pelo isolamento em regiões de refúgio, a exemplo do subgrupo Mura, os Mura Pirahã.

Darcy Ribeiro, (1979:37-41), relata que: “Os Mura habitavam primitivamente as terras da margem direita do médio Madeira onde enfrentaram os primeiros brancos que tanto subiam o rio vindos do Amazonas, como desciam, vindos de Mato Grosso. Graças ao sucesso de suas táticas de povo canoeiro, contra invasores que navegavam em pesados batelões, os Mura expandiram-se passando a ocupar um extenso território ao longo do Madeira até sua foz e daí pelo Amazonas e Purus acima, concentrando-se, principalmente, na região do AUTAZ. Desta posição, dificilmente acessível pelo intrincado sistema de lagos, furos e canais”.

Segundo Nimuendaju, guarnições militares foram criadas para fazer frente aos Mura e organizaram-se diversas expedições punitivas que anualmente os perseguiam em seus refúgios (Nimuendaju, 1925). Mas à força de guerrearem com os cristãos, os Mura, como tantos outros índios, acabaram por conhecer alguns dos seus elementos de cultura, como as armas de fogo e as ferramentas, a cujo uso se foram acostumando. A despeito disto e das baixas que sofriam, os Mura se conservaram independentes e hostís até 1784, quando surgiu na região uma outra tribo que lhe impôs sério revés. Eram os Munduruku, do rio Tapajós, que vinham expandindo-se para o rio Madeira. Vendo-se entre dois fogos, alguns grupos Mura procuraram espontaneamente uma vila “civilizada” propondo paz.

Cerca de quarenta anos após a redução, em 1826, escreve o anônimo que: “Está este gentio no Rio Negro em toda a parte em malócas, de mais, ou menos em número, e não se querem unir às Villas e lugares, pela opinião que entre elles há, que os querem escravizar como os outros Indios: opinião que he necessario desvanecer por meio das persuasões das vantagens que resulta da sociedade (cf. illustração). Mais adiante acrescenta: Com effeíto, ha quarenta, para quarenta e hum annos que esta tribu genntilica se congrassou comnosco, ainda não houve quem olhasse compassivo para estes miseraveis!! Convida-se aos gentios Maué, e Madurucú para formarem Missoens e dá-se-lhes Missionarios!!! Dir-me-hão: os Muras não se sugeitão à povoação. Que diligencias se tem feito para isso? Quantos Missionários se lhes tem dado para os agraciar e que se persuadão que he seu Missíonario? Nenhum. Alguns mandão baptizar os filhos innocentes nesta, e naquela Freguesia; que para o futuro vem a causar huma confusão, ...com authoridade, soffrimento, e paciencia he possível concordar os animos, e pareceres, e tirar estes gentios da sua grocería, e estupidez; e formar com elles estabelecimentos estaveis, e rendosos, à que naturalmente he o seu temperamento analogo... Estão estes gentios preoccupados da idéia, que os Magistrados querem escravisallos, como tem por muitos modos encontrado. De nenhuma sorte consentem, que os filhos seus menores se apartem do seu seio... O genio bravo, e altivo, como transcedente dos seus maiores, sempre mostrão, ...em todas as occasioens que os atacáo. Em 1818 vararão com huma flexa o Mineiro Alexandre pela barriga, quando se recolhia à Mato Grosso: que morrendo no Hospital da Barra, confessou, ser elle mesmo causa da sua morte, por ter tido a ousadia de tomar ao lndio a sua propria mulher. Em 1820 matarão à dous Soldados do destacamento do Crato, por lhes tomarem violentamente as suas montarias carregadas de tartarugas. Semilhantes à estes casos diariamente estão acontecendo. (illustração 1826).

Segundo Rodrigues & Oliveira (1977:09), os Mura havendo sido vitimados por epidemias, pelos ataques de guanições militares e civis, enfim, pelos efeitos dos contatos com os “civilizados”, os Mura que eram considerados um dos maiores grupos tribais da Amazônia e que por diversos meios procuraram evitar esses contatos, conforme foi mostrado anteriormente, acabaram por pedir a paz e se integraram aos povoados rurais das cercanias onde viviam, devendo ter diminuído muito em número e perdido grande parte do seu acervo cultural.

Características Culturais
Em decorrência dos dois séculos de intenso e violento contato com a sociedade regional; do forte processo de miscigenação da difusão de bebidas alcoólicas, etc., Os Mura foram sendo progressivamente absorvidos pela civilização com as vantagens e desvantagens que tal processo comporta, perdendo muito dos seus costumes originais.

Com base nos dados lingüísticos e localização geográfica, a tribo dos Pirahã assim como os Torá são conhecidos como subgrupo Mura. Neste informativo enfocaremos aspectos culturais do grupo Pirahã por terem maiores informações sobre eles e por estes não cedido ao contato permanente com os brancos, mantendo-se afastados dos núcleos regionais. Os Mura não tiveram o mesmo destino, dispersos em povoações regionais.

Rodrigues & Oliveira (1 977:10) chama a atenção para o fato da ergologia Mura Pirahã apresentar poucos elementos culturais quando comparada, por exemplo, com a dos índios do Alto Rio Negro (AM), os do alto Xingu (MI) e os próprios Munduruku (AM e PA) com quem tanto os Mura brigaram no passado e dos quais os Pirahã ainda tem lembranças, o que pode ser causado por duas possibilidades: a) perda de traços culturais face ao contato experimentado com os regionais, vítimas que foram da dominação de elementos da sociedade nacional e, também, com outros grupos tribais, como é o caso, por sinal, do uso do tabaco do paricá; o qual era lançado em pó dentro da caçoleta do cachimbo, sendo que o que se destina a tomá-lo, com as suas próprias mãos aplica a caçoleta a uma das ventas, enquanto outro assopra o tabaco com força pelo local, vindo por este modo a ser tão violento o efeito do tabaco assoprado que, a primeira assopradela, basta para os alienar dos sentidos e promover uma extraordinária descarga da pituíba (Ferreira, 1974:63), e que atualmente não mais é encontrado, b) conseqüência de um tipo específico de estrutura social e econômica pois os Mura-Pirahã, tal qual faziam os Mura há dois séculos, continuam a passar grande parte de seu tempo viajando em canoas, deslocando-se da terra firme para as praias que surgem na época das secas, sendo antes pescadores, caçadores e coletores do que agricultores, o que parece ter impedido o seu estabelecimento em aldeias mais ou menos fixas e, consequentemente, o surgimento de um material tecnológico mais elaborado (Rodrigues & Oliveira, 1977:12).

A organização social dos Mura é baseada em famílias extensas matrilocais. Antigamente o casamento geralmente era realizado com a prima cruzada e nesta ocasião, o homem simulava o roubo da mulher. Atualmente há um alto grau de miscigenação com a população regional.

Outra informação é que evitavam pronunciar o próprio nome e o de seus irmãos; não usavam termo de parentesco e utilizavam o nome próprio.

Atualmente, somente alguns elementos apresentam caracteres indígenas marcantes, e de um modo geral possuem estatura mediana. Apesar do alto grau de miscigenação, resultante do contato contínuo, não eliminaram-se totalmente as diferenças de ordem cultural. Os Pirahã mantêm a língua própria e o “modus vivendi” que os difere da população que os cerca. Observamos que entre os Mura os laços matrimoniais sucedem-se entre índios de etnias diversas, incluindo não índios.

Aldeia
Não se tem uma idéia exata dos antigos aldeamentos Mura. Bates e Craig chegam a fazer referências mais detalhadas das aldeias, quando dizem: O lugarejo, rio Amatari, na confluência do rio Amazonas com rio Madeira, consistia de cerca de vinte palhoças de paredes de taipa... (Bates, 1944: v.1, pg. 349) ou a cidade era constituída por um grupo de cêrca de 20 cabanas... (Craig, 1947:125), porém não mencionam se eram em círculo ou em alinhamento.

Habitações

Antigamente esse grupo, segundo alguns autores, viviam ora nos ramos das árvores na mata (southey, 1965:246), ora em redes atadas nos galhos vergados sobre a margem do rio (wallace, 1939:21 6), ou, então, em simples coberturas (Nimuendaju, 1948:267). Não construíam habitações sólidas e fixas (Bates, 1944: v.1 pg. 352) e as coberturas precárias, de palha, eram armadas sobre quatro esteios (Rodrigues, 1875:10).

Quanto ao subgrupo Pirahã localizado no baixo Maicí, suas habitações são de dois tipos: jiraus com e sem coberturas. Quando na praia do rio Marmelos, inicialmente as moradas são construídas sem tetos, constituindo-se apenas de jiraus utilizados para passarem o dia e dormirem. Quando as chuvas se tornam mais freqüentes é que os Pirahã providenciam a cobertura. Esta é constituída de quatro, seis, oito ou nove esteios fincados no chão e cobertos com palha de babaçu, sororoca ou caranã (Rodrigues & Oliveira, 1977:16).

Atividades de Subsistência

Antes a economia de subsistência e agora já engajada num sistema de troca extra-tribal. As atividades básicas são a agricultura, pesca, coleta e extrativismo. Os Mura são considerados exímios pescadores e caçadores, sendo esta sua maior fonte de subsistência.

Todo produto da agricultura é para ser consumido internamente, exceção de algumas frutas e a mandioca destinada à feitura de farinha, com excedente destinado a venda.

A pesca está toda comprometida com o consumo interno, a não ser a do pirarucu, que é salgado e destinado a venda.

A coleta de frutos silvestres, mel e castanhas é quase que totalmente voltada para o próprio consumo, enriquecendo a dieta alimentar. Algumas seringueiras lhes rendem algum dinheiro, bem como a extração do óleo da copaíba e corte de madeira.

A pesca constitui a atividade básica de subsistência do grupo, ela é praticada pelos Pirahã com arco e flecha ou timbó nas águas mais paradas dos lagos. Os peixes são consumidos assados na brasa, moqueados em forquilhas ou moquéns ou então simplesmente cozidos.

O trabalho na roça é uma atividade desempenhada.

Normalmente a técnica aplicada é da coivara, plantam principalmente mandioca, macaxeira, banana, jerimum, mamão, batata-doce, cana-de-açúcar e cará. Utilizam pequenas porções de terra em formas arredondadas, obtendo assim produto suficiente apenas para o consumo de cada família. Da mandioca preparam á farinha e fazem uso do tipiti.

Instrumental para Subsistência
1) Armas
Os Mura foram considerados os mais aguerridos da Amazônia. Ficavam de tocaia nas árvores e quando o inimigo passava caiam-lhe em cima com flechas, pois eram hábeis no manejo do arco e flecha.

Entre os Pirahã, os arcos são simples, sem enfeites. Os arcos são feitos de ingarana ou pau d’arco e, para sua confecção a madeira, após o corte, é. aplainada com terçado preso a uma forquilha, sendo em seguida levada ao fogo. Esta é uma atividade masculina. As mulheres cabe o fabrico da corda, feita a partir da envira.

Com relação às flechas fazem-nas com ou sem emplumação, sendo esta última modalidade a mais utilizada, pois, na maioria das vezes os Pirahã, pescam com arco e flecha, o que já não ocorre com a caça. Para este fim preferem os rifles.

O uso de zarabatanas é mencionado por Craig (1947:126)... “via-se uma zarabatana com que sopram fIechas ervadas”. Tais flechas foram também citadas por Carvajal e Acunã (1941:259). Hoje não mais são utilizadas.

Ainda a respeito de armas há uma referência bibliográfica feita por Souza (1873:145), sobre o murucu que é uma arma de guerra, feita de pau vermelho. Muito utilizada à época pelos Mura.

2) Armadilhas
Os Pirahã possuem dois tipos de armadilhas: a) o apito ou isca, constituído de um pedaço de flandres dobrado ao meio com um furo numa das extremidades para produzir som imitando a anta, cotia, macaco ou outro bicho que desejam caçar; b) a armadilha de tracajá, feita de madeira leve, em forma de torno, onde prendem a linha e o anzil que são jogados na beira do rio e amarrados nos galhos das árvores.

3) Moquens
Utilizam dois tipos: vara de madeira aberta no sentido longitudinal até cerca da parte mediana onde é preso o peixe e enterrada obliquamente no chão e jiraus de formas variadas.

4) Cestaria
Confeccionam cestos de carregar. Quando vão colher a mandioca ou caçar, preparam este cesto com palha de babaçu, de forma retangular, para transportar tanto a mandioca, cará e batata doce como frutos silvestres. Neste mesmo cesto colocam a mandioca dentro d’água para pubar.

Outro tipo, aliás o menos comum, de forma circular, feito de cipó ambé, com base triangular, é semelhante ao paneiro usado por outros grupos na região Amazônica e utilizado para colocar objetos pessoais. Fazem também peneiras, tipitís (feitos de arumã) e abanos de forma triangular, com trançado simples.

5) Transportes
 O meio de transporte desses índios era e é essencialmente feito através de rio. Nos dias atuais, os Pirahã do Alto Maicí, ainda constroem canoas de casca de árvore marupá, da copaíba e do jabotá.

6) Adornos
Conforme Aires e Cazal (1943:236), os homens não só ornam os braços e pernas, mas ainda furam o nariz, orelhas e beiços, donde trazem pendentes, conchas, dentes de porco e de feras. Os Mura usavam também colares e cintos. Hoje em dia os ornamentos Pirahã são constituídos somente de colares, braçadeiras e anéis.

Rodrigues & Oliveira (1977-28) dizem que certos tipos de pendentes, além do caráter de adorno tem outras funções, como por exemplo a semente da seringa, que é utilizada para acabar com o medo.

As braçadeiras podem ser de palha, fio de algodão ou tira de pano. Os diademas de palha, de forma arredondada, semelhantes a outros que os antigos Mura usavam (Ferreira, 1974:61), ainda são feitos, pelos Pirahã e também por alguns Mura de Autazes, porém pouco utilizados.

Os anéis são fabricados do caroço de tucumã, tanto por homens quanto por mulheres.

Os cabelos são cortados com pente e tesoura, o que antigamente era feito com mandíbula de piranha no mesmo processo do corte com navalha.

7) Brinquedos
As brincadeiras infantis entre os Pirahã são uma forma de prepará-los para a vida adulta. É assim que se vêem meninos aprendendo a fabricação de arcos e flechas para as suas pescarias, com caráter de brincadeira, enquanto que as meninas brincam com fusos e ajudam a cuidar das crianças menores.

8) Instrumentos Musicais
Rodrigues & Oliveira (1977:11) encontrou entre os Pirahã flautas de “pan” com dois ou seis tubos de taboca presos com fios de envira que, segundo eles, às vezes tocam nos poracês (festas) realizados nos dias de luar. As crianças usam pequenos arcos como instrumento musical.

Situação Atual
Souza & Zuardi, analisando a situação atual do grupo Mura no município de Autazes, dizem que, pelos enfrentamentos em defesa territorial os Mura conseguiram além do decréscimo populacional, realçar e atrair para o grupo uma antipatia e sérios preconceitos que são demonstrados até os dias atuais. A visão do colonizador e os entraves para o processo civilizatório imposto por eles, são passados através de dados históricos, permeados de malquerença. Preconceito este comum no confronto entre populações etnicamente diferenciadas.

Os índios Mura, com exceção dos Pirahã, tem contato permanente com os “civilizados”, representados na forma de regatões, extrativistas e “motores” que cruzam o rio diariamente e que habitualmente param nas praias, onde os índios levantam seus tapirís e lá realizam um comércio, através de trocas de mercadorias e bens já introduzidos em sua cultura. É comum a troca de caças, peixes, por aguardente, açúcar e quinquilharias.

Os extrativistas param nas redondezas principalmente na época da coleta da castanha que vai de dezembro a abril.

Existem invasões territoriais e pesca predatórias nos lagos. Perda da autonomia cultural, da posse do território e engajamento em atividades produtivas regionais.

AtuaImente os Mura não andam nus. Os cabelos que antes eram aparados por mandíbula de piranha, atualmente são cortados com pente e tesoura, os homens aparam os seus bem rente, já as mulheres os deixam longos.

A cultura material está restrita a colares de sementes, miçangas, contas diversas e anéis de tucumã.
Os Pirahã usam ainda a prática da pajelânça e a pintura corporal é aplicada principalmente nas partes enfermas do corpo, quando necessário, e para isso costumam usar o urucum.

As habitações de um modo geral são simples e rústicas, possuem uma ou duas águas, armadas por oito esteios em forma de forquilhas onde são encaixadas as vigas horizontais. A cobertura é feita com folhas de babaçu ou soro-roca.

O despreparo dos índios para a vida urbana sem que lhe seja oferecidas condições de boa adaptação, leva ao conflito nas disputas pelo acesso aos frágeis equipamentos urbanos e é inevitável o choque de dois modos distintos de comportamento social e representação da vida: o indígena e o não indígena (Cariua).

Encontram-se num processo de negação étnica, envergonhando-se da identidade tribal. Todavia, o grupo Mura tem se empenhado de modo a reverter esse processo.



Nota:
1 - Os textos em negrito são transcritos no português utilizado à época.
Fonte: FUNAI/CGDOC-MANAUS
   

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