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Povos Indígenas » O Índio  »  Rituais Indígenas  »  Ritual: Festa da Menina-Moça. Etnia: Nambikwara
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Ritual: Festa da Menina-Moça. Etnia: Nambikwara

Localização: Mato Grosso

Ritual de iniciação à puberdade feminina, a “Festa da Menina-Moça” transforma a jovem em mulher adulta, apta para o casamento. Os preparativos para a festa se iniciam pela ocasião da primeira menstruação, entre os nove e treze anos, quando começa a sua reclusão. A mãe da menina, com a ajuda das velhas sábias da aldeia, constrói então, uma pequena casa ritual com folhas de palmáceas Açaí, com uma pequena porta voltada para o nascente, onde a menina ficará reclusa por um período aproximado de trinta dias (uma lua ou mais), mantendo contato apenas com pessoas do sexo feminino. Durante esse período a garota é considerada sagrada e, se olhar para um homem, poderá ficar doente ou até mesmo morrer. É proibida a entrada de pessoas do sexo masculino na maloca da reclusão.

Constitui tarefa  masculina, e faz parte do ritual, a confecção do abanador, é feito com broto de naja (espécie  de palmeira), que serve para tampar as brechas da casa de reclusão, para ficar longe dos olhares curiosos, pois a menina não pode ser vista. Outra tarefa masculina é bater o broto de buriti (palmeira) para fazer os enfeites de braço, tornozelo e saias, usados por ocasião da grande festa, quando, também utilizam urucum, jenipapo e açafrão para se pintarem.

Quando se iniciam os preparativos para a festa, os homens saem para pesar, caçar porcos-do-mato, macacos, antas, capivaras e outros animais, que serão moqueados e guardados para as comemorações dos últimos três dias que antecedem a soltura da menina. As mulheres, nesses últimos dias, colhem a mandioca brava e preparam a massa para o beiju, e com o líquido fazem a chicha, bebida típica de vários grupos indígenas. Milho, batata-doce e banana também podem ser utilizados para fazer essa bebida. Durante os últimos dias da comemoração, a comunidade convida outros grupos indígenas amigos e, tanto convidados quanto anfitriões confeccionam artesanatos que serão utilizados como enfeites nos dias de festa.

Enquanto a menina fica reclusa a comunidade indígena, na maioria das noites, dança e canta em frente à casa ritual. No decorrer da noite a moça é retirada, várias vezes, para dançar, ficando, sempre, entre dois homens, nunca pai ou irmão, podendo ser o padrinho ou até mesmo o futuro marido, que amparam pelos braços, pois a mesma permanece o tempo de olhos fechados e a cabeça voltada para o chão. Eles ficam responsáveis pela moça durante toda a noite, até o amanhecer. Acreditam que durante a dança, que é realizada em círculo, os espíritos vagueiam no centro e se a menina abrir os olhos, poderá vê-los, podendo adoecer ou morrer. Enquanto dançam, batendo os pés no chão, movimentando o corpo para frente e para trás, caldeirões de chicha são colocados no centro para que todos os participantes possam beber. As músicas cantadas falam de festas, animais, aves e alimentos, como o mel de abelha “Europa”, Mandaguari. Eles também agradecem uma farta colheita de alimentos, caçada etc.

Toda vez que retorna à casa ritual, a menina é submetida a banhos com ervas medicinais para purificar e se fortalecer. Na última noite da festa, o corpo da menina-moça, que vinha sendo anteriormente pintado com urucum, passa a ser adornado com enfeites de penas, colares, cocar com penas de arara vermelha e amarela, desenhos feitos com a tintura de jenipapo, brincos de madrepérolas e faixas de algodão cru. Antes do nascer do sol, a comunidade estende esteiras nomeio do círculo da dança e deposita sobre elas o restante da carne moqueada, beiju e, em alguns casos, pacotes de açúcar, que serão entregues, ao final da festa, como presente, aos visitantes.

Ao final da festa, a menina-moça é retirada da casa e colocada, de joelhos, na direção do sol nascente. Após alguns minutos, ela é erguida e virada para o poente. Esse ritual é para que o deus supremo Nambikwara lhe dê longa vida. Encerrada a reclusão, a casa ritual é destruída pela mãe e os presentes entregues aos visitantes. A partir daí a menina está apta para o casamento.

Fonte: Maria de Lordes Jesus da Cunha, Professora de 1º Grau – Funai/Vilhena

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