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Povos Indígenas » O Índio  »  Rituais Indígenas  »  Ritual: Kôyxotí-Kípaé (Dança do bate-pau). Etnia: Terena
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Ritual: Kôyxotí-Kípaé (Dança do bate-pau). Etnia: Terena

Localização: MS


Kôyxotí-Kípaé era uma dança utilizada pelos antepassados Terena quando, terminada a Guerra do Paraguai, retornaram aldeia. Ela espelha um combate dos índios durante a guerra e é relembrada até os dias de hoje, por ocasião das comemorações relativas à Semana do Índio, sempre no período da manhã. É o único ritual que os Terena conservam, praticada apenas pelos homens e meninos com idades a partir de 12 anos.

Para a dança, os índios se ornamentam com, cocares, braçadeiras, saias e tornozeleiras, tudo confeccionado com penas de ema. Inicialmente eles encenam o que seria uma ida ao encontro dos inimigos: andam bem devagar, pé ante pé, como se estivessem tentando não ser percebidos pelos “inimigos”. Em duas filas paralelas vão até um certo ponto e retornam pelos lados oposto, em semi-círculo, sempre ao ritmo de uma flauta e de um tambor.

Sempre há um pequeno intervalo entre cada etapa da dança para o descanso. A chamada ao reinício é feita com um “grito de alerta”. A segunda parte relata a batalha havida. Da mesma maneira, os índios, em duas fileiras, vão até certo ponto, portando um bastão de madeira e retornam, sempre batendo os bastões com o par ao lado. Esse rito é feito por duas vezes. Ao retornarem, abrem-se filas, em um semi-círculo, aos pares, dessa vez com os bastões cruzados, dançando, significando que venceram a luta.

Nessa cerimônia cada grupo tem o seu cacique (os comandantes da festa). Os dois grupos se diferenciam pelas cores verdes e vermelhas dos papéis que são colocados nas pontas das penas que compõem a saia. Cada cor tem significado diferente: a vermelha, o sangue derramado na guerra; o azul, a vitória. A dança se repete, indo em fila e retornando em semi-círculo e, ao chegar ao ponto inicial, descansam 4 minutos, aproximadamente, e novo grito de alerta  é dado. Agora os índios vão e vêm, dançando e, cada dupla segurando os seus bastões. Acontecem várias coreografias, em círculo, sem separação de grupos, todos juntos.

Ao final dessa etapa, todo o grupo escolhe o cacique. O escolhido pega o bastão e dança sozinho, em linha reta, por diversas vezes, em várias coreografias. Ao terminar a última coreografia, o cacique é levantado lentamente pelo grupo, que continua dançando em círculo. Ao chegar ao ponto em o cacique está mais suspenso, ele grita  Ayna-Pu, que quer dizer muito obrigado. Terminado esse rito, segue-se uma festa nos moldes dos não-índios, com churrasco e mandioca.

Fonte: Edson Terena, da Aldeia Bananal, MS

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