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Quinta-feira, 18 de outubro de 2012
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Povos Indígenas » O Índio  »  Etnias Indígenas  »  Sateré-Mawé
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Sateré-Mawé

Estado: AM e PA.
População: 6.177

Os Sateré-Mawé, povo que habita a região do médio rio Amazonas, na divisa dos estados do Amazonas com o Pará, integra o tronco linguistico tupi. Os homens atualmente são bilingüe, falando o Sateré-Mawé e o Português, mas a maioria das mulheres, apesar dos 322 anos de contato com os brancos, só fala o Sateré-Mawé.

São chamados regionalmente “Mawés”, no entanto se autodenominam Sateré-Mawé. O primeiro nome – Sateré - quer dizer “Lagarta de fogo” e é o clã mais importante dentre os que compõem esta sociedade, porque indica tradicionalmente a linha sucessória dos tuxauas (palavra que designa chefe político) . O segundo nome – Mawé - quer dizer “papagaio inteligente e curioso”, e não é designação clânica.

Os Sateré-Mawé são os inventores da cultura do guaraná, isto é, foram eles que transformaram uma trepadeira silvestre em arbusto cultivado. À domesticação desta planta somou-se a criação do processo de beneficiamento do guaraná.

O guaraná é uma planta nativa da região das terras altas da bacia hidrográfica do rio Maués-Açu, precisamente onde é o território tradicional Sateré-Mawé.

O guaraná é o produto por excelência da economia Sateré-Mawé. Dentre os seus produtos comercializáveis é o que obtém maior preço no mercado. O çapó – guaraná em bastão ralado na água – é a bebida cotidiana, ritual e religiosa, sendo consumida em grandes quantidades.

Talvez, deva-se à grande importância do guaraná na sua organização social e econômica, o fato dos Sateré-Mawé terem desenvolvido vocação para o comércio. Além de exímios agricultores são também caçadores e coletores.

Na agricultura se destacam os plantios de guaraná e as roças de mandioca. A farinha é a base da alimentação sendo também comercializada em larga escala para as cidades vizinhas de Maués, Barreirinha e Parintins. Plantam ainda, para consumo próprio, o jerimum, a batata doce, o cará branco e roxo, e uma infinidade de frutas, em maior escala a laranja. Mel, castanha, diferentes qualidades de coquinhos, formigas, lagarta completam sua dieta. Coletam ainda breu, cipó e vários tipos de palhas que além do consumo são comercializados na cidade. Caçando e pescando os homens participam da dieta alimentar, juntamente com a farinha de mandioca, beiju e tacacá feitos pelas mulheres.

Os Sateré-Mawé possuem rica cultura material, sendo os teçumes sua maior expressão. Eles designam por teçume o artesanato confeccionado pelos homens: peneiras, cestos, tipitis, abanos, bolsas, chapéus, paredes e coberturas de casas etc. , feitas com talos de folhas de caranã, arumã e outros.

Se o guaraná, por um lado, rege a sociedade Sateré-Mawé ao nível econômico e simbólico, temos que também, neste último aspecto, ênfase ao Porantim.  

O Porantim é uma peça de madeira com aproximadamente 1.50 m de altura, com desenhos geométricos gravados em baixo relevo, recobertos com tinta branca – a tabatinga. Sua forma lembra a de uma clava de guerra ou a de um remo trabalhado. O Porantim possui um leque de atributos: é o legislador social e os Sateré-Mawé freqüentemente se referem a ele como sendo sua Constituição ou sua Bíblia; possui poderes de entidade mágica, uma espécie de bola de cristal que prevê acontecimentos, podendo andar sozinho para apartar desavenças e conflitos internos; o Porantim  é o suporte onde estão gravados, de um lado, o mito da origem ou a história do Guaraná, e do outro, o mito da guerra. Posiciona-se, portanto, para a sociedade que o talhou, como instituição máxima, aglutinando as esferas políticas, jurídica, mágico-religiosa e mítica.

Segundo relatos dos velhos Sateré-Mawé seus ancestrais habitavam em tempos imemoriais o vasto território entre os rios Madeira e Tapajós, delimitado ao norte pelas ilhas Tupinambarans, no rio Amazonas e, ao sul, pelas cabeceiras do Tapajós.

Quando se referem ao seu lugar de origem – o Noçoquém – o localizam na margem esquerda do Tapajós, numa região de floresta densa e pedregosa, “lá onde as pedras falam”. Os Sateré-Mawé indicam este lugar como sendo morada dos seus heróis míticos.

O primeiro contato do grupo com os brancos se deu em 1669, com jesuítas portugueses. A partir daí, e mesmo antes deste evento, devido às guerras com os Munduruku e Parintintim, o território ancestral dos Sateré-Mawé foi sensivelmente reduzido.

Em 1835 eclodiu a Cabanagem na Amazônia, principal insurreição nativista do Brasil. Os Munduruku e Mawé (dos rios Tapajós e Madeira), os Mura (do rio Madeira), bem como grupos indígenas do rio Negro aderiram aos cabanos que se renderam em 1839. Epidemias e atroz perseguição aos grupos indígenas que com eles combatiam, devastaram enormes áreas da Amazônia, deslocando estes grupos dos seus territórios tradicionais ou reduzindo-os.

Relatos dos viajantes confirmam que de fato houve redução territorial a partir do século XVIII, quando mencionam a área compreendida pelos rios Marmelos, Sucunduri, Abacaxis,Parauari, Amana e Mariacuã como território tradicional dos Sateré-Mawé. Esses relatos confirmam também que as cidades de Maués (AM), Parintins (AM ) e Itaituba (PA) foram fundadas sobre sítios Sateré-Mawé, coincidindo com passagens da história oral deste povo.

 

 

Bibliografia:
- LOTENZ, Sônia da Silva. Sateré-Mawé: os filhos do guaraná. São Paulo: Centro de Trabalho Indigenista. 1992.11-18p.


            

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