Esse ritual de passagem ocorre entre os meses de julho a dezembro, coincidente com o período de verão. A moça é previamente preparada. Para isso, fica isolada em uma casa durante duas a três semanas, em um cercado móvel, feito de paxiúba, longe dos olhares dos membros da comunidade. Apenas à noitinha, quando todos já se recolheram, ela deixa furtivamente a morada para a satisfação de suas necessidades primárias. O prolongado isolamento faz com a pele da moça se torne clara.
Durante o período de reclusão, os familiares se entregam no preparo de bebidas fermentadas como o caxiri, pajuaru e caiçuma (esta feita de molho de tucupi, engrossada com mandioca ou qualquer outra fécula), carne e peixe moqueados, que servirão para recepcionar os convidados. O caldo extraído do pajuaru é altamente embriagante. Com a aproximação da festa, a jovem se enfeita com vestes ornadas de plumas e penas, ostentando um colar. O rosto é pintado com urucu e jenipapo. No dia da festa, esfregam o couro cabeludo da moça com óleo extraído de uma palmeira, que tem a propriedade de enfraquecer a raiz dos cabelos.
A jovem então se embriaga com grande quantidade de pajuaru (certa bebida excitante, utilizada pelos indígenas), a ponto de não poder manter-se de pé. No auge da festa, quando todos estão bastante embriagado, e empanturrados, a jovem vem ao centro da aldeia, dentro do cercado móvel, empurrada pelos familiares. Ela passa a desfilar entre os participantes da festa e, em seguida, sai para praça e dança, bêbada, entre os convivas, em meio a grande algazarra. O pessoal forma um circula em volta dela e todos, um a um arrancam um pouco de cabelo da jovem, que não demonstra qualquer sinal de dor. Ela fica totalmente desprovida de cabelos. A festa atinge o auge e todos cantam e dançam.
Na manhã do dia seguinte, a moça coloca um pano da cabeça, que desce ao meio da testa. E assim fica até que o cabelo cresça. Está terminado o ritual da moça nova. Daí por diante, ela agirá como adulta, com toda a liberdade para namorar e arranjar marido. Algumas vezes, as meninas são prometidas quando ainda muito novas, na base da troca de mulheres. Durante todo o ritual de iniciação da moça nova, os convivas se apresentam fantasiados, representando seres mitológicos como demônios, macaco-prego e seres fantásticos da selva.