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Terça-feira, 21 de maio de 2013
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Povos Indígenas » O Índio  »  Etnias Indígenas  »  Kaxúyana
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Kaxúyana

Estados: AM e PA.
População: 221

Como ponto de partida para este estudo etno-histórico podemos tomar uma constatação dos pajés Kaxúyana, nossos principais informantes. Perguntados sobre a origem da sua tribo, responderam claramente “Nós somos um povo “misturado”. Alguns (grupos) subiram o Amazonas, e Trombetas; outros baixaram, vindo das cabeceiras dos rios Cachorro, Cachorrinho e Trombetas e das altas serras de mais além. Encontraram-se aqui no Cachorro. Primeiro brigaram; depois se ajeitaram; e por fim se misturaram. Com estas palavras definiram, praticamente, toda a situação das mesclagens interindígenas de seu grupo  o fundo histórico de seu povo.

Segundo os relatos da tradição que explicam essas e outras asserções semelhantes dos pajés, o atual grupo Kaxúyana descende de uma mesclagem de dois elementos étnicos, imigrados na área do Trombetas/Kaxúru. Um deles foi constituído por imigrantes do oeste que se tornaram os Kaxúyana em sentido próprio; o outro eram os Aríkyana ou Waríkyana, oriundos do leste, das regiões da foz do Amazonas. Entre ambos os grupos havia diferenças nos vários níveis culturais que, em parte, até hoje são perceptíveis. A tradição não recorda a autodenominação dos antigos Kaxúyana ou só de maneira muito vaga e incerta , enquanto a dos Waríkyana é relatada como sendo Ingarüne. Mesmo os Pawíxi (Pauxis), grupo afim que foi habitar nos afluentes do rio Erepecuru, foram indicados como Ingarüne. O fato de que os Pawíxi entraram nas terras do Trombetas juntamente com os Waríkyana, porém sem se misturarem com antigos Kaxúyana, mas sendo indicados com o nome tribal de Ingarüne, parece confirmar que a autodenominação dos Waríkyana tenha sido Ingarüne.

Diferenças entre estes dois elementos imigrados no Trombetas/Kaxúru encontram-se também no campo lingüístico e biológico. Por um lado contam com que o atual dialeto Kaxúyana é a língua dos Waríkyana, enquanto a dos antigos Kaxúyana era uma língua (dialeto?) diferente, não inteligível para os outros. Outrossim notam-se diferenças fenotípicas. Existem entre os atuais Kaxúyana dois fenótipos étnicos, dos quais um é moreno claro, o outro porém, escuro. Afirmam que os “brancos”, quer dizer os mais claros, mostram melhor o tipo dos antigos Kaxúyana que possuíam uma têz quase branca, cabelos castanhos e levemente ondulados, existência fraca ou mesmo ausência de traços mongolóides. Os Ingarüne, ao contrário representam para eles melhor o tipo Waríkyana : têz mais escura, cabelos pretos e lisos, traços mongolóides freqüentemente acentuados, incluindo a existência do epicanto.

A estas diferenças citadas juntam-se outras de nível cultural, ideológico e sócio-cultural que, entretanto, não podem ser tratadas aqui e que serão abordadas só ocasionalmente, quando necessárias para a compreensão do total do assunto. O estudo comparativo das diferenças destes níveis e de suas fontes foge um pouco dos limites do nosso tema. Este se restringe a notas etno-históricas sobre a origem, migração e mesclagem dos índios Kaxúyana, com base na tradição tribal, nos mitos de fundo histórico, nos dados dos cronistas da era da conquista e em dados recentes.


A Imigração do oeste
Falando da sua descendência, os Kaxúyana fazem, freqüentemente, uma distinção gradativa, referindo-se a seus ancestrais como aos “antigos” e aos “bem antigos”. Geralmente, os “antigos” são os antepassados enquanto ocupavam e moravam no atual “habitat” da tribo; os “bem antigos”, ao contrário, moravam quase sempre em outras paragens e são o grupo antes de imigrar no território, atualmente considerado seu. Esta distinção é freqüente, mas nem sempre aplicada com rigor.

Para o conhecimento da história de um grupo, os relatos sobre os “bem antigos” são, naturalmente de alta importância. Infelizmente, estas notícias são quase sempre poucas e restritas e, ademais, envoltas numa penumbra quase misteriosa. Dão indicações veladas, mas não apontam com exatidão os fatos concretos ou outros pontos de referência e comparação de forma que, sempre fica certa margem para outra interpretação. Assim também no caso dos ancestrais dos Kaxúyana. Donde eles vieram? Os pajés Kaxúyana respondem: “A terra dos nossos antigos, mas dos “bem antigos”, ficava lá para o poente, onde existem as serras altas.

 

 

Bibliografia:
-
FRIKEL, Protásio. Os Kaxúyana. Notas etno-históricas.

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